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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Fundador do Charlie diz que o editor "arrastou" a equipa para a morte

Stéphane Charbonnier, ou Charb como era conhecido, era o editor do Charlie

Um dos fundadores do jornal satírico acusa Charb, uma das vítimas do atentado da semana passada, de "arrastar a equipa" para a morte, "exagerando" nos cartoons

Henri Roussel, 80 anos, contribuiu para a primeira edição do Charlie Hebdo pós-ataque, o número especial que foi ontem para as bancas com uma tiragem de cinco milhões de exemplares. Mas num texto dirigido ao editor assassinado, Stéphane Charbonnier, publicado na revista Nouvel Obs, o fundador afirma que lhe atribui culpas pelo massacre da semana passada.

Considerando-o um "rapaz fantástico", Henri Roussel critica, no entanto, o editor, a quem acusa de teimosia e de arrastar a equipa para o "exagero", referindo-se à capa de 2011, com o profeta Maomé.
"Não o devia ter feito mas Charb voltou a fazê-lo um ano mais tarde, em setembro de 2012", recorda.
A acusação, na edição desta semana da Nouvel Obs, irritou o advogado do Charlie Hebdo há 22 anos, Richard Malka, que respondeu com uma mensagem indignada a um dos donos da Nouvel Obs e do Le Monde.

"O Charb ainda nem foi enterrado e a Obs não encontra nada melhor para fazer do que publicar uma peça polémica e venenosa sobre ele", lamenta. "No outro dia, o editor da Nouvel Obs, Matthieu Croissandeau, não podia chorar mais enquanto dizia que ia continuar a lutar. Não sabia que a ideia era esta", acrescenta.

Croissandeau já respondeu: "Recebemos este texto e depois de um debate decidi publicá-lo numa edição com liberdade de expressão. Parecer-me-ia preocupante censurar esta voz, mesmo sendo discordante, Em particular porque esta voz é uma das pioneiras do grupo".
Esta não é a primeira vez que Roussel discorda publicamente do Charlie moderno, tendo acusado o antecessor de Charbonnier de transformar a publicação num órgão islamofóbico e zionista.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Caricatura de Maomé no regresso do "Charlie Hebdo" indigna líderes muçulmanos


Um líder religioso do Irão disse que a capa equivale "a declarar guerra a todos os muçulmanos".

A capa desta semana do jornal satírico "Charlie Hebdo", a primeira desde o ataque terrorista da semana passada, está a causar indignação na comunidade muçulmana do Médio Oriente, por representar, mais uma vez, a figura de Maomé.

Sob o título "Tout est pardonnés" (Tudo está perdoado), a capa mostra uma caricatura de Maomé, triste e com uma lágrima no canto do olho, a segurar um cartaz onde se lê "Je suis Charlie", a expressão que ficou associada ao movimento global pela liberdade de expressão e contra o terrorismo que surgiu após o ataque.

Cartoons deste tipo "alimentam sentimentos de ódio e ressentimento entre as pessoas" e publicá-los "mostra desrespeito" pelos sentimentos muçulmanos, considerou o grande mufti de Jerusalém e da Palestina, Mohammed Hussein.

No Irão, o líder religioso conservador Nasser Makarem-Shirazi diz mesmo que as páginas satíricas são equivalentes "a declarar guerra a todos os muçulmanos".

A Universidade Al-Azhar, no Egipto, apelou a todos os muçulmanos que ignorem a capa com Maomé, que considerou "uma frivolidade odiosa".

Na Argélia, o jornal diário "Echorouk" respondeu ao "Charlie Hebdo" com a frase "Somos todos Maomé". Na Turquia, um outro matutino publicou alguns excertos da nova edição do jornal satírico, mas deixou de fora a capa.

O responsável pelo cartoon da edição "de sobrevivente", como o próprio jornal a classificou, foi Renald Luzier, ou "Luz".  "Escrevi 'tudo está perdoado' e chorei", explicou em conferência de imprensa. "Esta é a nossa capa. Não era aquela que os terroristas queriam que desenhássemos. Não estou preocupado, confio na inteligência das pessoas, na inteligência do humor", declarou.

Fonte_Renascença